Heliópolis, em SP, aposta no funk para alertar morador sobre Covid-19

Heliópolis, em SP, aposta no funk para alertar morador sobre Covid-19: Aposentadoria Especial Blog Explica: SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Voz da periferia, o funk teve um baile transformado em tragédia com a morte de nove jovens pisoteados, numa ação da PM, na

Heliópolis, em SP, aposta no funk para alertar morador sobre Covid-19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Voz da periferia, o funk teve um baile transformado em tragédia com a morte de nove jovens pisoteados, numa ação da PM, na madrugada de 1º de dezembro de 2019, em Paraisópolis.Na temporada da reclusão, o gênero ganha letra pedagógica e empresta o batidão à luta para preservar vidas. Desta vez, em outra favela paulistana, a de Heliópolis.Ao menos uma vez por semana, um caminhão percorre as vielas da comunidade ao som do “Funk Contra a Covid”, criado por Mc Lanzinho, o mesmo que, em tempos de farra, tinha gravado “Putaria do Helipa”.Diz a nova letra: “Vamos ajudar o próximo com consciência/ Use máscara, álcool em gel, fique em casa e paciência/ Os médicos trabalhando, mas estão indignados/ Faltando respirador e os leitos superlotados/ Muitos morrendo por dia; e daí?/ É porque não é da sua família”.Na voz de Mc Lanzinho, ressoa firme a expressão de desdém com que Jair Bolsonaro, presidente da República, respondeu a repórteres que, em 28 de abril, lhe pediam uma declaração sobre o recorde de mortes decorrentes da doença: “E daí? Lamento, quer que eu faça o quê?”, perguntou.“Eu, ao menos, estou tentando fazer a minha parte. Espero sensibilizar as pessoas”, responde Alan Pereira da Rocha, 25, o Mc Lanzinho. Ele explica que, na favela, é muito mais fácil se contaminar e bem mais difícil manter a rapaziada em casa. Lanzinho perdeu a tia da mulher dele, vítima da doença.“É bom que façam barulho com o funk porque chama a atenção dos jovens”, diz a diarista Jurema Aparecida da Silva, 56, desempregada no momento.“Tem um bar aqui em frente que fica lotado até o sol raiar. A aglomeração só desaparece quando o pessoal da biqueira [tráfico] dá uns tiros para cima e manda todo o mundo correr”, conta ela.Mãe de oito filhos, dos quais quatro vivem com ela, e avó de 11 netos (o caçula mora na casa dela), Jurema, evangélica, faz questão de dizer que mantém a cria sob controle.“Moro em Heliópolis há 29 anos. Ao menos aqui em casa, [eles] me escutam.”Localizada a 8 km do centro de São Paulo, Heliópolis surgiu como alojamento provisório para famílias removidas de duas favelas, Vila Prudente e Vergueiro, nos anos 1970.Abriga hoje cerca de 200 mil moradores, distribuídos em 1 milhão de m². É a maior comunidade da capital, seguida por Paraisópolis, ambas na zona sul.De acordo com um estudo da Unas (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região), a maioria das famílias que vivem lá é composta por mães solos, as únicas provedoras de …

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